8 de março de 2009

De quem, afinal ?

Primeiro, a matéria que li no Portal G1 (AQUI):

A empregada doméstica Doralice Muniz Barreto, de 44 anos, conta que teve de tirar a blusa
para passar pela porta giratória da agência do Banco do Brasil no Centro de Jundiaí, cidade localizada a 58 km de São Paulo. "Me senti humilhada, arrasada, acabada, uma ninguém", afirmou.
Ela contou ao G1 na tarde desta sexta-feira (6) que vai procurar um advogado na próxima semana para processar o banco e pedir uma indenização por danos morais. Toda a cena foi gravada pelo celular de outra cliente, Cleide Aparecida dos Santos Silva. Em nota, o Banco do Brasil informou que segue as normas institucionais.

A empregada doméstica considera que foi discriminada por ser negra, uma vez que outros clientes brancos passaram tranquilamente pela porta. A Polícia Militar foi chamada por um advogado, cliente do banco, e lavrou um termo circunstanciado.

Mãe de cinco filhos e avó de quatro netos, Doralice chegou à agência por volta das 15h10 de quarta-feira (6) para descontar seu cheque-salário de aproximadamente R$ 700. Quando tentou entrar pela primeira vez, a porta travou.
Doralice tirou o relógio e duas chaves do bolso e depositou no porta-objetos, mas nada adiantou. Ela também esvaziou a bolsa que carregadva a tiracolo, colocando todos os objetos à vista, sem sucesso. De acordo com ela, o segurança permaneceu dizendo que havia objetos de metal com ela. Ela ainda tentou entrar na agência outras quatro vezes.
Desesperada, Doralice pediu ao segurança que chamasse o gerente, mas o vigia avisou que o gerente estava ocupado. "Disse para ele: 'eu não tenho mais nada. A única coisa que eu posso fazer agora é tirar a roupa'. E ele me disse: 'problema seu'", conta Doralice.
Diante da resposta do vigilante, a empregada tirou a blusa e a porta imediatamente destravou. "Eu fiquei tão nervosa que ia tirar a roupa toda, mas não deu tempo", disse ela.

A mulher conta que cerca de 50 clientes estavam dentro do banco no momento em que a cena aconteceu. "Depois da raiva, me senti humilhada e com vergonha. Chorei muito e estou chorando até agora", disse ela.
A costureira Cleide Aparecida conta que estava no banco com a filha, a dona de casa Érica Cristina dos Santos, que filmou toda a cena com seu celular. "Se ela me chamar eu vou ser testemunha a favor dela. Tinha um advogado lá no banco que também aceitou defendê-la. Eu fiquei indignada. Como pode uma pessoa ser impedida de entrar no banco com todo mundo olhando. Foi só ela tirar a blusa que deixaram entrar", afirmou.

Cleide afirma que filmou para não depender apenas da palavra. "Filmei porque se a pessoa vai na delegacia e conta o que aconteceu, ainda são capazes de dizer que é mentira", afirmou.
Doralice contou que, assim como Cleide, todos os clientes se mostraram solidários. Na intenção de ajudar, um advogado que passava pelo estabelecimento chegou a propor ao segurança que levasse a empregada para algum lugar seguro por onde ela pudesse entrar sem oferecer risco. "Ele disse que se eu tivesse alguma coisa perigosa os guardas poderiam chamar a polícia", conta ela. Outros clientes aconselharam Doralice a quebrar a porta.

Ela afirma ainda que nenhum dos funcionários se mostrou solidário a ela. "Todo mundo que estava sentado naquelas mesas fingiu que não estava acontecendo nada."
Questionado sobre o caso, o Banco do Brasil divulgou a seguinte nota: "O Banco do Brasil segue as normas institucionais, entre elas, a portaria 387 da Polícia Federal que em seu artigo 62 diz que o banco é obrigatório ter vigilante, alarme e um item de segurança, que pode ser portal com detector de metais ou outro item que retarde a ação dos criminosos. O objetivo é garantir a segurança dos clientes."

Marido de Doralice, o aposentado e vendedor Augusto Zara ficou preplexo. "Eu vou falar o que? Além de revoltante, isso mostra que essas pessoas são muito mal preparadas. Isso deveria servir para mostrar que o banco é nosso", afirmou.

No ano passado, a atriz Solange Couto também acusou um banco de constrangimento. Ela disse que teve de ficar de calcinha na porta de uma agência no Rio depois de ser barrada quatro vezes na porta giratória.
Agora, alguns comentários meus.
Primeiro, o comentário do marido da vítima desse descaso horrendo do Banco do Brasil, que remete ao slogan da atual campanha de mídia do BB, que diz que o banco "é seu".
Vemos que se trata de um slogan mentiroso - afinal, o cliente não consegue nem mesmo entrar numa agência sem ter que passar por este constrangimento absurdo.

Segundo, que este tipo de problema é recorrente - e NINGUÉM FAZ ABSOLUTAMENTE NADA.
Quem nunca foi barrado por estas malditas portas giratórias ?
Que, todo mundo sabe, não detecta metal nenhum. O funcionamento dessas malditas portas é conhecido de todo mundo: os funcionários (terceirizados) que não têm NENHUM preparo, treinamento ou competência, que os bancos insistem em chamar de "seguranças", ficam com o controle remoto na mão, e barram quem eles bem entendem.
Eu já vi, diversas vezes, o "segurança" com o controle remoto em mãos, e já vi um gerente de banco pedindo para o "segurança" liberar a entrada de uma pessoa, pois seria "conhecido" dele (gerente).

Eu já fui vítima dessas portas, algumas vezes.

Nessas horas, os clientes do banco ficam com cara de "ué", imaginando o porquê do preconceito.
Simples: culpa dos próprios clientes.

Foi barrado pelo "segurança" inéptil do seu banco ? Troque de banco.
E avise a gerência e/ou a ouvidoria do banco o motivo da sua saída.

Afinal, O BANCO É TODO SEU......

4 de março de 2009

PRESS-RELEASE criativo

Não posso deixar de registrar uma ação GENIAL de comunicação: Didio Pizza.
Coincidentemente, sou cliente (a pizza é ótima!).

Mas lendo o blog da Revista Consumidor Moderno (AQUI), tomei conhecimento desta ação: ao invés de enviar um press-release, a Didio enviou um "pizza-release".

Uma ação marcante, criativa, e capaz de demonstrar a confiança da empresa na qualidade do seu produto.

A casa da Coca

Recebi um e-mail da Carol, ontem, me "chamando a atenção" porque faz quase um mês que não atualizo o blog.
É verdade......
Bom, mais ou menos.

Na verdade MESMO, estou com 4 posts não-publicados nas últimas 2 semanas. Comecei a redigir, mas precisava verificar alguns dados, ou localizar alguns links, e eles permaneceram na condição de "rascunhos".
Prometo que irei conclui-los em breve, para postar.

Já adianto que um destes posts é sobre marketing político, inspirado por alguns posts do blog do Clemente Nóbrega.
O outro dá continuação à questão discutida AQUI e AQUI.

Mas, a despeito da absoluta falta de tempo (muito trabalho, além da orientação dos trabalhos da pós), não poderia deixar de registrar um post do blog do Marcelo Cherto, AQUI.

PRECISO reproduzir a imagem, pois me despertou o interesse de uma forma que.....bom, quem me conhece, sabe.

Ei-la:
Coca-Cola.......
NEM COMENTO !!!!!!!!!!!!!

2 de março de 2009

Celulares: novidades e velharias

A notícia é do portal G1:

O total de celulares em operação no Brasil chegou a 151,9 milhões em janeiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (18) pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As vendas no mês passado foram de 1,3 milhão de novos acessos, um crescimento de 0,87% em relação a dezembro de 2008. O número total de novas habilitações, no entanto, foi menor que janeiro do ano passado, quando entraram no mercado 1,87 milhão de celulares.

Do total de telefones móveis em operação no país, a ampla maioria, 81,59%, está na modalidade pré-paga, enquanto o restante, 18,41%, é de celulares pós-pagos (clientes que recebem uma conta mensal de telefone). Segundo a Anatel, em janeiro havia 79,8 celulares para cada grupo de 100 habitantes. O Distrito Federal continua na primeira posição do ranking, com mais de um telefone móvel por habitante.

A Vivo segue na liderança do mercado brasileiro com 29,81% de participação. Em segundo lugar vem a Claro (25,73% de participação), seguida da TIM, com 24,06%, e da Oi, com 20,03% (incluindo 3,84% da Brasil Telecom, comprada no ano passado).

A tecnologia de terceira geração (3G) da telefonia celular, lançada no Brasil em 2008, alcançou, em janeiro, 1,98 milhão de clientes. A tecnologia GSM domina o mercado, com 135,5 milhões de clientes, seguida da CDMA, com 12,3 milhões de usuários.
Quero destacar alguns pontos.
O número de usuários de telefonia celular, no Brasil, continua crescendo, ano após ano.
Surpreendente é ouvirmos pessoas criticando a privatização do FHC. Ou não têm celular (nem fixo), ou criticam só porque não têm mais o que fazer da vida.
Mas o mais importante, aqui, é tratar do aspecto de mercado.

E, sob tal ótica, selecionei duas outras notícias que complementam a questão.

A primeira, abaixo, é do Valor Econômico (na íntegra AQUI):
A TIM fechou na sexta-feira à noite a compra da Intelig, poucas horas depois de ter anunciado ao mercado um plano de "relançamento" da companhia. As medidas são a aposta da operadora para deixar para trás a maré ruim em que mergulhou no ano passado, quando perdeu a segunda colocação do mercado para a Claro e enfrentou a queda em alguns indicadores financeiros.

A aquisição da Intelig, que pertencia à Docas Investimentos, dá um novo perfil à TIM. Com o negócio, fechado por um valor não revelado, a operadora amplia sua capacidade de transmissão de dados para atuar como provedora de acesso à internet e ganha capilaridade nas áreas metropolitanas, onde o tráfego é crescente.

A compra se encaixa na proposta de "relançamento" desenhada pela nova diretoria da TIM. A oferta de novos pacotes de serviços, combinando telefonia fixa, móvel e internet, é um dos pilares dessas medidas, que abrangem também o reposicionamento da marca e maior eficiência no uso da rede.

Nessa empreitada, a TIM definiu as classes A e B como seu alvo prioritário. A medida marca um retorno da operadora à estratégia de concentrar sua artilharia para atrair e reter os assinantes mais rentáveis - modelo que foi a base de seu sucesso alguns anos atrás.

Em outra frente, a TIM está promovendo uma limpeza em sua carteira de clientes. Segundo Luciani, entre 80% e 90% dos cortes são de pré-pagos. O números de desconexões não foi revelado. "É um fato contingente e marginal, que não vai gerar impacto econômico", disse.

A arma com a qual a companhia pretende atrair mais clientes dos segmentos mais ricos da população brasileira é a oferta de pacotes "três em um", que combinam telefonia fixa, celular e banda larga. Os chamados "combos" são um modelo já explorado pelas empresas de telefonia fixa e de TV por assinatura para garantir a fidelidade dos clientes. Os novos pacotes devem chegar ao mercado no segundo trimestre.

Enquanto isso não acontece, a TIM começa a explorar um mercado ainda inédito no Brasil: o de banda larga pré-paga. A partir de hoje, a operadora vai vender cartões de R$ 5 que permitem o acesso à internet por 24h, com direito de usar 250 megabytes em downloads. O modem para conexão à web custará R$ 299. O foco não são clientes de baixa renda, mas "usuários ocasionais", afirmou Luciani. Ao mesmo tempo, a operadora redefiniu seus planos de banda larga pós-paga.

No ano passado, a TIM enfrentou dificuldades para cumprir suas metas financeiras e foi alvo de especulações de que seria vendida pela Telecom Italia para a Telefónica. A matriz desmentiu os rumores e colocou o Brasil como um de seus pilares de crescimento, mas não conseguiu dissipar as dúvidas dos investidores quanto ao futuro da companhia.
A segunda, foi publicada na Folha de 02/03 (na íntegra AQUI):
Os serviços de telefonia e internet no Brasil estão entre os mais caros no mundo, segundo um estudo que a ONU divulga hoje. No ranking de 150 países da UIT (União Internacional de Telecomunicações), o Brasil aparece entre os 40 em que o uso de telefones fixos e celulares consome a maior fatia da renda per capita.

O acesso à telefonia foi um dos critérios usados pela organização para elaborar o Índice de Desenvolvimento em Tecnologia de Informação e Comunicação, que avalia os avanços no setor entre 2002 e 2007. O Brasil caiu seis posições em relação ao índice anterior e agora ocupa o 60º lugar.

Tomando como referência o preço de um pacote básico, a UIT chegou à conclusão de que o uso do celular no Brasil é um dos mais caros, consumindo o equivalente a 7,5% da renda média per capita do país. Numa escala crescente de custo, o país ocupa a 114ª posição. A telefonia fixa morde uma fatia menor da renda do brasileiro (5,9%), mas também coloca o país entre os últimos, no 113º lugar.

Entre os mais baratos, empatam Hong Kong (China), Dinamarca e Cingapura, onde o uso do celular é responsável por só 0,1% da renda média. O contraste para o Brasil também é notável em relação a vizinhos como Argentina, onde a conta do celular é bem menor (2,5% da renda per capita).

No índice geral de desenvolvimento, a UIT justifica a queda de seis posições do Brasil observando que houve pouco avanço nos três critérios utilizados: acesso, uso e capacidade.
Mercadologicamente, o problema NÃO foi a privatização - muito pelo contrário: a privatizaçõ abriu caminho para que o acesso aos serviços de telefonia, especialmente celular, fosse facilitado.
O problema começa a surgir DEPOIS da privatização.

As agências reguladoras (ANATEL, no caso específico da telefonia) foram paulatinamente transformadas em cabides de empregos dos sindicalistas e amigos da corja de boçais do PT, e deixaram de lado uma função CRUCIAL: monitorar o mercado, e trabalhar para aumentar a competição no setor - o que, teoricamente, levaria a uma queda nos custos.

Porém, o que vimos foi exatamente o oposto: a ANATEL virou capacho dos interesses do PT - o que ficou mais do que nítido no caso da fusão da Telemar/Oi com a Brasil Telecom.
Chegamos ao ponto de mudar a lei (Plano Geral de Outorga) para que as empresas pudessem levar seus planos adiante.

Imagine se a ANATEL poderia se opor às vontades da empresa que financia o filho do Presidente da República ?!
NUNCA.

Afinal, a existe única e exclusivamente para atender às vontades do Presidente, não é ?!

O resultado, no frigir dos ovos, é a falta de concorrência no mercado - o que impede a queda mais forte dos preços, ou mesmo uma melhoria SIGNIFICATIVA na qualidade dos serviços - a Telefônica que o diga !

19 de fevereiro de 2009

O romantismo masculino

Por que as propagandas de cerveja, no Brasil, não são um pouco mais inteligentes ??





INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA OU MARKETING?

Primeiro, a contextualização.
Em Janeiro, publiquei aqui no blog um post tratando do freqüente problema de incompreensão do termo MARKETING.
Hoje recebi um e-mail da autora do artigo que eu comentei, Nathalie Nunes. Eis aqui a íntegra da mensagem que ela me enviou:

Bom dia Carlos,
Fiquei surpreendida com o seu comentário sobre o artigo que publiquei na revista RI pelas seguintes razões:
1.O seu caráter ofensivo num espaço tão público como a internet;
2.Você não ter entendido do que tratava o artigo;
3.Você não ter entrado em contato através do meu email que se encontrava no final do artigo para manifestar sua indignação.

Finalmente, considero que adotar um estilo irreverente e polêmico pode ser muito interessante. No entanto, acredito que qualquer que seja a personalidade de um profissional, respeito e ética são imprescindíveis. Lamento que, nesse caso, você não tenha adotado esse comportamento.

Estou à disposição para dialogarmos sobre os pontos levantados tanto por você quanto por mim através do email indicado no artigo. Se realmente dialogar era sua intenção ao criar o blog.

Nathalie Nunes
Nathalie,
A julgar pela mensagem que você me enviou, quem não entendeu o texto que postei no blog foi você.
O meu comentário estava analisando a costumeira confusão que leigos fazem no que tange ao conceito de marketing.
O seu artigo na Revista RI reforça esta confusão, pois você escreveu bobagem lá.
Desde o título, passando pelo conteúdo, o seu artigo confunde o conceito de marketing com "propaganda enganosa".

Não há, nem houve, caráter ofensivo.
Indique, por favor, aonde está a "ofensa".
Ela não existiu. Aliás, como eu poderia ofendê-la, se nem sequer a conheço ?

Talvez você esteja querendo dizer que eu fui ofensivo ao analisar o seu texto ?!
Será isso ?!
Bom, se for este o caso (não tenho certeza, pois sua mensagem apenas citou "O seu caráter ofensivo num espaço tão público como a internet"), novamente você está fazendo uma ligeira confusão.
Eu não fui ofensivo, eu fui CRÍTICO.
A despeito de, no Brasil, ser crítico é usualmente associado a ser ofensivo, o que eu fiz foi analisar o seu texto, e indicar os erros (crassos) que dele constam.

Ofensivo, por outro lado, é o seu texto: ele ofende a inteligência do leitor, ao imaginar que o este leitor não saiba a diferença entre marketing e propaganda enganosa.

O título do seu artigo já começa de forma errada, pois aponta uma escolha: A responsabilidade social das empresas e as parcerias estratégicas com o terceiro setor: INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA OU MARKETING?
Ora, o título aponta uma escolha: OU se trata de integração estratégica OU se trata de marketing.
Nitidamente, se você não vê nenhum erro nisso, você precisa pesquisar o que é marketing, e como ele se integra à estratégia empresarial.

Mais adiante, seu artigo traz o seguinte trecho: No entanto, a sinceridade e eficiência de muitas parcerias são questionadas, ao apontar o seu caráter marketeiro e qualificá-las de: window dressing, vitrine superexpondo ações sem valor agregado; greenwash, propaganda para encobrir um desempenho ambiental fraco; e bluewash, uso da credibilidade das Nações Unidas na declaração pública de abraçar os
princípios do Pacto Global, sem práticas consistentes.

O termo "caráter marketeiro" (além do erro gramatical, dado que o termo "marketeiro" não existe nem em português, nem tampouco em inglês) deixa clara sua intenção de associar o marketing à suposta propaganda enganosa.
Novamente, se é isto que você acha sobre marketing, falta uma ampla e detalhada pesquisa, alguns estudos e leituras.
Um bom começo seria este artigo AQUI, que eu costumo discutir nas primeiras aulas de marketing na graduação, justamente para desmistificar o termo marketing - que, no senso comum, na visão dos leigos, é frequentemente confundido com propaganda ou algumas outras coisas.
Aliás, como apontam os professores Campomar e Ikeda, neste artigo, não são apenas os "leigos" que cometem este tipo de erro: há aquela categoria dos "supostos especialistas", ou seja, pessoas que SE DIZEM experts no assunto, mas na realidade acabam cometendo os mesmos erros primários dos leigos (desta vez, sem aspas).
E foi justamente neste sentido que minha postagem no blog criticou os "supostos especialistas". A Revista RI, como eu descobri graças ao seu artigo, comprova a hipótese.

Por que não usei o e-mail para "manifestar indignação" (como você escreve) ?
Para quê ?
Não se trata de indignação com uma pessoa em particular (seja você, seja qualquer outra).
Conforme eu escrevi no blog, eu trato desta errônea confusão conceitual aqui no blog (inclusive, indiquei alguns links de posts anteriores, que versam justamente sobre isso). Num segundo nível, acho apenas patético e degradante que existam publicações (revistas, jornais etc) que não se dêem conta desta besteira atroz que é confundir marketing com propaganda (enganosa ou não), e acabem publicando textos travestidos de sérios e embasados quando, ipso facto, são apenas aglomerados de chavões dominados pelo mais ignóbil senso comum.

Mas sabemos que existem consumidores para diversos tipos de produtos e serviços.
Há consumidores de livros de auto-ajuda igualmente repletos de senso comum rasteiro.
Ok.
Mas eu não vou mandar e-mail para cada um, tratando disso, questionando ou criticando.
O problema é deles.
O meu problema, o meu objetivo aqui no blog, é tratar de marketing - não sob a visão deturpada de que se trata de "propaganda", mas discutindo a acepção ampla, correta, séria, e suas aplicações, resultados etc.
Esta função o blog tem cumprido. E continuará.

Inclusive para que meus alunos, e demais leitores do blog, passem a entender esta questão, discuti-la e, mais importante, trabalhar no sentido de minimizar (ou, quiçá, eliminar) estas falácias que cercam o marketing.

Quem sabe, desta forma, revistas como Exame ou RI passem a adotar um controle de qualidade que funcione.

O blog está, desde sempre, aberto às discussões deste tema tão amplo e mal-compreendido que é o marketing. O espaço de comentários é democrático, e se você (ou qualquer pessoa) quiser comentar, questionar, criticar ou elogiar o blog (e, por extensão, seu conteúdo), os meios para isso estão à disposição.

14 de fevereiro de 2009

Mais um blog....

Mais um blog espinafrando a Telefônica: http://meu-blogue.blogspot.com/2009/02/denuncia-telefonica-incapacidade-ou-ma.html

Mais uma vez, me solidarizo com o autor.
Realmente, ser cliente da Telefônica é assinar atestado de otário.
Eu tenho o meu, assinado, com firma reconhecida e autenticado em 5 vias.

Por falta de opção, registre-se.

Microsoft em pauta

Li 2 notícias sobre a Microsoft que achei que mereceriam alguns comentários. Vamos a elas:

A Microsoft planeja abrir suas próprias lojas de varejo para "transformar a experiência de comprar PCs e produtos Microsoft", afirmou a empresa nesta quinta-feira (12/02) ao anunciar a contratação de um executivo para cuidar da rede.
As lojas ajudarão a Microsoft a se engajar mais profundamente com consumidores e aprender o que e como eles querem comprar seus produtos, segundo o anúncio da empresa. Decidir onde as lojas serão instaladas e como elas serão montadas é o objetivo primário de David Porter, ex-executivo da Dreamworks e do Wal-Mart que será vice-presidente corporativo de lojas de varejo na Microsoft.
A Microsoft vem sendo notado há tempos atrás da rival Apple no apelo direto a seus consumidores, com a empresa de Steve Jobs investindo em lojas próprias há muitos anos.
Enquanto a Microsoft faz seu console Xbox, seu player Zune e outros aparelhos, a empresa não tem uma marca de PC, como a Apple tem seu Macintosh, para embarcar seu sistema Windows.
A estratégia parece tentar aproveitar tanto o lançamento do Windows 7, com data ainda não oficializada, mas esperado para até o final do ano, versões do Windows Mobile e reformulações na plataforma online Windows Live.
A Microsoft já abriu uma loja física com seu nome, em 1999, em São Francisco. Consumidores podiam testar handhelds com o sistema Windows CE e comprar produtos da empresa. A loja fechou anos depois.
FONTE: IDG
Bom, mais uma vez a Microsoft segue os passos da Apple. Poder-se-ia, noutras palavras, dizer "imita a Apple", pois e´justamente isso o que a MS sempre fez.
Mais do que benchmarking - trata-se de simples cópia mesmo.

Porém, a Microsoft tem algumas práticas diferentes:
Uma norte-americana iniciou um processo contra a Microsoft relacionado à taxa de 59,25 dólares cobrada para fazer o downgrade do Windows Vista para o Windows XP.
O processo foi iniciado em uma corte de Washington, nos Estados Unidos, e a usuária Emma Alvarado pede que a Microsoft lhe devolva o dinheiro que ela pagou para efetuar o downgrade do Vista, que já veio instalado, para o XP Professional.
Emma também criou um documento para que outros usuários que pagaram pelo downgrade se juntem ao processo e peçam ressarcimento pela taxa também.
O processo acusa a Microsoft de usar seu "poder de mercado para tirar vantagem das demandas de seus clientes pelo Windows XP, obrigando as pessoas a comprarem PCs com o Vista e depois pedindo uma taxa para o downgrade".
De acordo com o documento, a ação viola duas leis do Estado de Washington - uma referente a práticas injustas de negócios e outra de proteção ao consumidor.
FONTE: IDG
Não me lembro de ter lido algo semelhante sobre a Apple.
Sabe por quê ?

Porque a Apple é uma empresa que EFETIVAMENTE usa a inovação como estratégia competitiva.
A Microsoft, por outro lado, apenas copia o que outras empresas (como a Apple, por exemplo) fazem, mas sua estratégia é calcada no aprisionamento tecnológico.

A Microsoft centra sua preocupação em prender (literalmente), RETER o cliente.
A Apple preocupa-se em FIDELIZAR o cliente.

A diferença é brutal.

13 de fevereiro de 2009

Discutindo a crise

Discussões e debates de bom nível são sempre interessantes.
Vejamos este:



FONTE: G1

6 de fevereiro de 2009

Tudo sob controle - ou QUASE

Um comercial divertidíssimo, graças à contribuição da Juliana Feitosa (que, coitada, volta a ter aula comigo neste semestre.....rs):

5 de fevereiro de 2009

Processo bilionário

A notícia é ESPETACULAR:

A Telefônica é alvo de um pedido de indenização bilionária do Ministério Público de SP. A Promotoria do Consumidor está processando a empresa por falhas na prestação dos serviços de telefonia, banda larga e TV a cabo e por deficiências no atendimento ao público, desrespeitando as "obrigações legais de cortesia, continuidade e eficiência". Os promotores cobram indenização por danos morais e materiais de R$ 1 bilhão -cerca de 50% do lucro declarado da Telefônica no ano de 2007.

Dados do Procon ajudaram a subsidiar a ação. De todos os questionamentos enviados pelo órgão às empresas depois de reclamações de clientes no ano passado, 21,8% foram para a Telefônica. A Telefônica não comenta.
A nota saiu na Folha de São Paulo de ontem, 04/02.
EXCELENTE notícia para os milhões de consumidores lesados pela incompetênia e pelas práticas estapafúrdias dessa empresinha de bosta.

Variações do mesmo tema

Uma ótima sacada para a propaganda, aliada à adequação da mensagem conforme a localidade de exibição.

Merece a recomendação:



2 de fevereiro de 2009

Laptop da vovó

Impagável !!!!!!

28 de janeiro de 2009

Comercial vegetariano polêmico

A notícia auspiciosa é do Portal G1:

A rede de televisão dos Estados Unidos NBC rejeitou uma proposta do PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, organização contra maus-tratos a animais) para veicular um anúncio durante a exibição do Super Bowl, o horário publicitário mais caro da TV americana. Intitulada "Veggie love", a peça de publicidade sugere os supostos benefícios de uma dieta vegeratiana para o desempenho sexual humano.

O comercial mostra modelos seminuas ou em lingerie protagonizando cenas eróticas com legumes e verduras.

De acordo com um texto divulgado no blog do PETA, a NBC afirmou que o comercial "retrata um nível de sexualidade que excede os nossos padrões". Ainda de acordo com a entidade, a rede de televisão afirmou que reavaliaria a oferta caso fossem cortadas as cenas que contivessem qualquer modelo "lambendo abóbora", "tocando os seios com a mão enquanto come brócolis", "lambendo berinjela" ou "esfregando aspargo nos seios", entre outras.

Em tom irônico, o PETA ainda brincou com a rejeição ao comercial e disse que a lista de exigências da NBC fez com que até eles "corassem de vergonha".
O PETA é um daqueles grupos xiitas-chaatos, mas o comercial é interessante:

'Veggie Love': PETA's Banned Super Bowl Ad

Clientes são diferentes

Primeiro, vamos ao vídeo (com o qual tive contato graças à turma de pós da ACM):


Agora, vamos lá......
Eu já tinha visto algumas vezes o tal Waldez Ludwig. Minha impressão era a seguinte: entre tantos palestrantes que têm se proliferado como bactérias, infestando o mundo com bobagens ridículas, esse cara até que não era dos piores.
Ao menos ele trata de assuntos realmente efetivos, ainda que, por vezes, cometesse um ou outro exagero - mas que, no limite, é justamente o que os consumidores desse tipo de "vídeo" buscam.
O cara não me parecia um picareta do mais pífio nível, como o autor do "Monge e o executivo", ou como aquele escroto do Marins.....
Entre tanta gente ruim, o Waldez era "suportável".

Bom, depois de descobrir, graças à turma da pós, que o cara mantinha um quadro num programa da GloboNews, fui checar no YouTube. Achei vários vídeos por lá.
Mas resolvi fazer alguns comentários sobre esse aí em cima, tratando de CLIENTES.

As palavras do Waldez, no vídeo, fazem muito sentido.
Isso se nós ignorássemos completamente uma série de conclusões possíveis graças a anos e anos de estudos (sérios) envolvendo o comportamento do consumidor, CRM etc....

Seria absolutamente possível elencar uma série de artigos, pesquisas, estudos e afins que derrubassem essa estória de que "todos os clientes são especiais", ou de que o cliente está "sempre certo".

Mas serei bem mais objetivo do que isso.
Se todos os clientes são especiais, como ele diz, basta um pouquinho de lógica para revelar-se a falácia no argumento.

Se todo mundo é especial (ele diz isso mais ou menos em 00:56 minutos), isso significa dizer que todos são iguais: TODOS SÃO ESPECIAIS.
Se todos são iguais, não existem clientes especiais.
São todos iguais.

Não se trata de dizer que "especial", neste contexto, seja sinônimo de "melhor".
Trata-se de um princípio muito básico, muito simples: cada empresa precisa identificar quais clientes, num dado momento, são os mais interessantes, mais relevantes para a consecução da estratégia da empresa, naquele dado momento (obviamente, isso pode mudar, o que o Waldez acertadamente registra).
Quando a empresa segmenta sua base de clientes, NÃO ser classificado como "especial" NÃO significa ser tratado mal.
As implicações não deveriam ser neste nível - mas, erroneamente, muitas empresas acabam fazendo isso.
Aí, sim, passamos a ter um problema - mas que não foi causado pela segmentação da base de clientes, e sim no erro de atender mal.

O mau atendimento, neste caso, NÃO tem relação com a segmentação (ou "classificação") dos clientes.
Trata-se, apenas e tão somente, de um erro da empresa.
Que, por sinal, não pode ser creditado à importantíssima identificação dos grupos de clientes com base em certos critérios (gastos realizados na empresa, tempo de relacionamento, localização, expectativas etc).